Minha torcida era que o Prêmio Pritzker de 2026, tido como o mais importante da categoria, fosse concedido a uma arquiteta mulher. Historicamente a Fundação Hyatt, desde 1979, vem premiando majoritariamente homens e “esquecendo” do trabalho feminino na área e, por isso, pensar em equidade de gênero nesse cenário é mais que urgente. O prêmio ficaria em boas mãos se a distinção fosse concedida a arquiteta mexicana Tatiana Bilbao, mas o laureado foi o arquiteto chileno Smiljan Radic Clarke. Quando um sul americano é agraciado, a primeira ideia que vem à cabeça é que o prêmio é mais que merecido. Confesso que não o conhecia e justifico a mim mesma que isso se deve a dimensão infinita do mundo da arquitetura e ao fato da graduação ser só a pontinha do iceberg. Comecei a pesquisar, primeiro na página oficial do Pritzker, vi outras publicações e assisti a uma entrevista recente do arquiteto no Podcast “Conversaciones sin pauta con Claudia Alamo”– la fragilidade como forma de construir el mundo”. Se eu pudesse sintetizar as obras de Radic diria que se trata de poesia em forma de arquitetura. O trabalho do chileno é diferente de tudo, original, não há uma convencionalidade na forma adotada, a importância do contexto, a integração da paisagem e a diversidade de materiais, alguns pouco usuais, também são características marcantes de sua obra. As construções de Radic evocam a vulnerabilidade, fragilidade e a ideia de refugio. O arquiteto, ao ser indagado sobre seu processo de criação, menciona que produzir uma certa estranheza faz parte da sua linguagem arquitetônica. Segundo ele, apesar do aspecto físico distinto, as membranas de diversos materiais, sempre associadas a leveza, e as pedras usadas nas construções, com seu peso intrínseco, têm esse papel, sendo que em relação a inserção de pedras, elas também servem pra incorporar a dimensão da memória, um tempo diferente do que vivemos. Mais do que para ser vista, a arquitetura do chileno é para ser vivenciada, experienciada, sentida. Já estou querendo marcar uma viagem para o Chile.
FOTOGRAFIAS – cortesia Pritzker Architecture Prize










