KONDITAGET LÜDERS. UM ESTACIONAMENTO QUE É UMA LIÇÃO DE COMO FAZER BOA ARQUITETURA

Nossas referências sobre arquitetura são comumente associadas a determinadas tipologias de edificação. Pensamos em prédios residenciais, comerciais, equipamentos culturais, dentre outros. Copenhague me fez girar essa chave limitante. Nas minhas pesquisas prévias sobre a cidade, tomei conhecimento do projeto de um estacionamento no inovador distrito de Nordhavn em Copenhague, que foi criado na área de uma zona portuária obsoleta. O bairro foi pensado a partir do conceito da cidade de 05 minutos e a sustentabilidade também é uma de suas premissas bases. Mas o objetivo agora não vai ser falar desse tema (vai ficar pra depois) e sim destacar o “Konditaget Lüders”, uma estrutura construtiva que combina garagens com um espaço público de lazer na cobertura (a 24 metros do solo), quebrando com a ideia de monofuncionalidade de estacionamentos. O projeto (2014-2016) foi indicado a vários prêmios, dentre eles o Mies Van Der Rohe em 2017, e foi criação do escritório dinamarquês JAJA architects que teve sua proposta vencedora no concurso.

Quem vê a edificação não tem ideia de que se trata de estacionamento. A gente, meio que vai criando no imaginário, uma ideia de que estacionamentos são construções apáticas, focadas exclusivamente na funcionalidade e desprovidas de beleza. E isso ocorre devido aos poucos (ou quase nenhum) atributos estéticos nos exemplos que temos. Não é assim com o “Konditaget Lüders”, também conhecido como “PARK’N’PLAY”. Eu, inclusive, fui conferir se se tratava mesmo de um estacionamento, pois sua aparência externa não induz tal conclusão.
A parte externa da construção é feita com uma estrutura vazada de aço corten, que tem uma função térmica já que permite a ventilação, e floreiras do mesmo material, cobertas de plantas, ordenadas de forma a criar ritmo ao longo da fachada. De ambos os lados, duas escadas externas diagonais que perpassam os sete andares do prédio levam ao espaço público no topo.


A tonalidade vermelha da fachada e do corrimão das escadas dialoga com o passado do bairro, conhecido por suas construções de tijolos vermelhos. O mesmo ocorre com os frisos decorativos com os elementos gravados que contam a história do antigo porto.
Ao chegar ao topo, o visitante se depara com um parque de 2.400 m², aberto ao público onde pode praticar exercícios e outras atividades ou simplesmente contemplar. E que vista espetacular o lugar nos proporciona. Os arquitetos mencionam que o grande corrimão, um fio vermelho contínuo, pega os visitantes pela mão e os convida a subir para apreciar a paisagem. Foi exatamente assim que me senti. O projeto é uma aula de como mesclar funcionalidade e sustentabilidade com estética e integração urbana. O espaço público no alto da edificação é o que podemos chamar de gentileza urbana real e não aquela usada unicamente como retórica pelo mercado imobiliário, prática tão comum em nossos dias

Referências:
https://jaja.archi/project/konditaget-luders/
As fotografias são de autoria própria

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